quinta-feira, 15 de novembro de 2012
15.
Hoje, depois de meses, me bateu uma louca vontade de escrever. Não consegui pensar direito em outra coisa a não ser no que eu tinha lido na noite, madrugada ou tarde do dia anterior. Tudo que eu queria era sentar na frente de alguma coisa qual pudesse escrever. E cá estou.
Talvez escrever sobre nada ou ninguém, um fato do cotidiano ou o quão estou feliz por esse sentimento inundar algo que estava seco.
Há meses tento extrair algumas palavras da mente, que coisa outrora saíam com tanta facilidade quanto o sorriso de uma criança que acaba de ganhar um de seus doces favoritos. Meses olhando pra tela em branco no computador com um maldito traço insistente em piscar ou comer cada simples letra, frase ou estrofe que eu escrevesse. Meses com uma caneta na mão olhando para uma folha em branco que teria, no término da experiência, mais gotas de café derrubadas por uma mão trêmula do que tinta. Como seria bom revirar uma pasta hoje e ver várias folhas cheias de textos que já escrevi; ler e dar risada (ou chorar) das idéias absurdas que já tive a coragem de escrever, de alguns sociopatas com facas, de sentimentos deixados de lados, de dramas familiares que sempre enfrentei ou simplesmente de desabafos de uma mente cansada e tristonha.
Ontem parei para ler coisas publicada por quem vos fala aqui nessa página de dados em uma rede mundial e senti uma nostalgia agridoce. Engraçado relembrar algumas das minhas opiniões que foram guardadas e esquecidas dentro de mim. Doloroso ver o rapaz de um ano atrás sofrer por amor e se meter a poeta do século XIX.
E o mais legal disso é ver que sempre há fases na vida, tudo muda. O que te mataria ontem te faz mais forte daqui alguns meses, anos ou realmente consegue o que quer.
E bom, ainda estou respirando, creio eu.
Espero que a vontade não acabe por aqui; ainda há muito a se contar para ninguém ou, quem sabe, três ou quatro.
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